Edward Burtynsky

Paisagens Manufacturadas

Visualizar uma obra de Edward Burtynsky é partilhar da certeza de estar perante um trabalho minuciosamente pensado, magistralmente executado, onde a falha não tem lugar. As suas fotografias, tecnicamente perfeitas, fascinam pela terrível beleza com que traduzem o frágil (des)equilíbrio entre aquilo que a natureza produz de mais precioso e o homem tão insistentemente explora, funcionando como espelhos onde, tão claramente, se reflecte o mundo em que vivemos.

Texto de Susana Paiva
Imagens de Edward Burtynsky, cortesia Mongrel Media e Steidl

No stand que a editora Steidl exibe no Paris Photo todo o espaço é exíguo para folhear os dois livros onde as fotografias de Edward Burtynsky brilham. “China”, de 2005, e “Quarries”, de 2007, são albums fotográficos, tecnicamente irrepreensíveis - editados segundo o mesmo grau de exigência que Burtynsky põe nas suas imagens -, onde magníficas reproduções traduzem o melhor que o fotógrafo Canadiano tem produzido nas duas últimas décadas. Inútil observa-los fugazmente, folheando-os sobre o joelho ou recorrendo ao auxílio de apenas uma mão. Os seus livros, tal como as grandes impressões fotográficas que produz, necessitam da tranquilidade da contemplação, do silêncio que promove a concentração e obriga a mergulhar nas paisagens captadas e que traduzem na perfeição o efeito de séculos de acção humana sobre os recursos naturais do planeta.
Nascido em 1955, em St. Catharines - Ontário, Burtynsky atribui o seu interesse pelas intricadas relações entre indústria e natureza à observação, desde tenra idade, da dinâmica da empresa General Motors estabelecida na sua terra natal. Fascinado pela acção humana na paisagem, Burtynsky completa os seus estudos em Fotografia na Ryerson University, em Toronto, e em Artes gráficas no Niagara College, em Welland, fundando, em 1985, o “Toronto Image works” - um centro educacional e de produção artística na área da imagem analógica e digital – onde inicia um extenso trabalho fotográfico que se constitui hoje como testemunho da relação evolutiva do homem com a natureza, perfeitamente espelhada nas paisagens industriais que constrói.
Dedicando o máximo de tempo de maturação possível a cada um dos seus projectos, Burtynsky acaba de editar “Quarries”, um livro onde se reúnem imagens de pedreiras – essas “arquitecturas invertidas” como gosta de lhes chamar – captadas durante mais de uma década em países de vários continentes, entre os quais pontua Portugal com 10 imagens realizadas em diversas pedreiras do sul do país.
Dos seus trabalhos mais notáveis destaca-se o projecto desenvolvido na China, esse gigante cujo crescimento não conhece barreiras ecológicas, e que a premiada realizadora canadiana Jennifer Baichwal registou em 16 mm. Em “Paisagens Manufacturadas”, filme projectado pela primeira vez no Festival de Cinema de Toronto em Setembro de 2006, Jennifer Baichwal acompanha Edward Burtynsky através da China, enquanto este fotografa os efeitos da massiva revolução industrial que o país protagoniza. Aproximando-se da postura de Burtynsky o filme promove a reflexão sobre o impacto humano no planeta, evitando julgamentos simplistas ou soluções redutoras, deixando ao espectador a responsabilidade individual da tomada de consciência.
Rodado maioritariamente na China o documentário proporciona a observação dos métodos e técnicas empregues por Edward Burtynsky na obtenção das suas imagens, enfatizando as suas capacidades diplomáticas de negociação e de acesso a locais onde jamais outro fotógrafo acedera. Particularmente belas e dramáticas, aparentando um cenário apocalíptico, são as imagens obtidas no local de implantação da “Three Gorges Dam” - a maior barragem do mundo, 50% maior do que qualquer outra existente e responsável pela deslocação compulsiva de cerca de um milhão de habitantes daquela região.
Reconhecendo que a grande força das imagens de Burtynsky reside “na sua recusa em as tornar didácticas” Baichwal acaba por desenvolver, em “Paisagens Manufacturadas”, uma obra que prolonga de forma poética e eficaz as metafóricas imagens de Burtynsky visibilizando assim, num belo estilo, o dilema da nossa existência moderna – o continuo desejo de ter uma maior qualidade de vida não obstante a tomada progressiva de consciência das consequências naturais que daí advenham.


Livro “China” de Edward Burtynsky
180 páginas, 80 imagens a cores
38,1 cm x 30,5 cm, capa dura com sobrecapa impressa
editado por Steidl em Novembro de 2005
ISBN: 3-86521-130-5

Livro “Quarries” de Edward Burtynsky
176 páginas, 80 imagens a cores
38,1 cm x 30,4 cm, capa dura com sobrecapa impressa
editado por Steidl Photography International em Setembro de 2007
ISBN: 978-3-86521-456-0
www.steidlville.com


Filme “Manufactured Landscapes” sobre a obra de Edward Burtynsky
Realização de Jennifer Baichwai
Estreia em sala em França – Novembro de 2007
Documentário, 1h26m, cor
Canadá, 2006

(Texto publicado na revista "Magazine Artes" de Dezembro 2007)

Paris Photo 2007

Fotografia e “Champagne”

Visitar o Salão Paris Photo é participar numa experiência inebriante onde fotografia e glamour se combinam para criar um mundo pleno de códigos complexos, indecifráveis aos olhos do cidadão comum. Um universo onde a qualidade é um requisito, a discrição um imperativo e o dinheiro o motor que faz transitar de mão em mão obras artísticas de fotógrafos de todo o mundo.

Texto de Susana Paiva
Fotografias gentilmente cedidas por Paris Photo 2007

São múltiplas as razões que levam, ano após ano, milhares de pessoas de todo o mundo a deslocar-se ao Carrousel do Louvre, espaço onde desde há 11 anos se realiza uma das mais conceituadas feiras internacionais de fotografia. Para as 83 galerias este ano aí representadas, oriundas de 17 países, o objectivo é inequívoco e bastante claro – vender o maior número de obras dos artistas que representam ao melhor preço possível. Já para o público que gravita em torno dos diferentes espaços expositivos a motivação nem sempre é a mesma. Muitos visitantes consideram que em anos ímpares, quando o “Mois de la Photo” - a grande bienal Parisiense de fotografia - não se realiza, o Salão Paris Photo constitui um espaço alternativo para se ver boa fotografia. No entanto, não obstante o razoável preço do bilhete de acesso - 15 euros para o público geral e metade desse valor para estudantes e grupos de visitantes - o Paris Photo está longe de ser um local privilegiado para a fruição da fotografia dado que frequentemente em pequenas áreas expositivas, envoltas em tapetes sonoros de risos e conversas eufóricas, se exibem dezenas de obras que competindo ferozmente entre si impedem o olhar pausado e atento que cada fotografia merece.
Claramente concebido como um evento comercial cujo público alvo são os coleccionadores de fotografia institucionais e privados, o Paris Photo organiza-se segundo os códigos gerais do mercado da Arte que cada participante depois se encarrega de personalizar mediante as suas práticas profissionais e convicções pessoais.
Nem sempre é fácil descortinar a lógica subjacente a cada um dos expositores dado que grande maioria das galerias apresenta uma selecção desconexa das obras que representa, quiça aquelas que julga mais vendáveis. Poucos são os expositores que, como a Galeria Yvon Lambert, optam por exibir apenas um ou dois autores. Talvez por isso, não nos abstraindo da qualidade das imagens que apresenta, a galeria se destaque no meio de toda a cacofonia visual. Aí as séries “The other side” (1971-1974) da autoria de Nan Goldin e “Intimate” (1979 -1986) de Andy Warhol ganham uma visibilidade extraordinária e brilham no seio de uma das mais concorridas alas do Salão.
Para a premente sensação de caos geral muito contribui a multiplicidade e diversidade de dimensões das fotografias expostas, percorrendo quase todas as escalas imagináveis, do imensamente pequeno ao extraordinariamente grande, bem como os diferentes estilos e suportes que tão bem reflectem o largo espectro que a feira promove – da fotografia do século XIX à fotografia contemporânea, passando pela fotografia moderna.
Descortinar no seio do Paris Photo a lógica do mercado da fotografia é tarefa ingrata. A maioria das galerias opta por não afixar o preço das obras à venda obrigando os interessados a dialogar e negociar face a face com o galerista. Para galeristas como Agathe Gaillard, proprietária da mais antiga galeria exclusivamente dedicada à fotografia em Paris e membro do comité de selecção dos participantes do Paris Photo, a não afixação dos preços não só ajuda à especulação financeira como parece obnubilar a realidade que muitos pressentem – a da aplicação de diferentes preçários de acordo com a natureza do comprador. “Chez Agathe”, como todos se referem ao espaço expositivo da Galeria Agathe Gaillard, não há lugar a equívocos e a tratamentos diferenciados – os preços encontram-se todos afixados e aos clientes mais inexperientes até é facultada, numa folha de papel amarelo, um excerto da definição de “fotografia original” de acordo com o estabelecido em 1982 pela “Associação para a Defesa e Promoção da Fotografia Original”.
Talvez seja a sua franqueza, por muitos proclamada “honestidade”, que faça com que o seu espaço esteja sempre cheio de visitantes. Aos amigos mais próximos oferece um copo de champanhe - do genuíno “Champagne” que abunda em quase todos os espaços expositivos neste dia zero de exposição à porta fechada, acessível apenas por convite e regulado segundo áreas profissionais. Entre as 4 e as 7 da tarde desfilam no Salão todos quantos o visitam por razões exclusivamente comerciais, excepção feita aos jornalistas que são livres de circular desta a primeira abertura de portas. Depois entre as 7 e as 10 da noite a entrada é facultada aos restantes convidados - artistas, amigos e outros sortudos que terão acesso privilegiado às obras em exposição.
Ao público geral restará esperar pela manhã do dia seguinte, quando terá lugar a abertura oficial dos 4 dias do certame, para ter acesso à compra de tudo aquilo que não tenha sido adquirido ou reservado pelos milhares de profissionais que por lá circularam na véspera.
É logo na primeira hora do dia zero que Agathe Gaillard vende a primeira obra no certame deste ano. Trata-se de “Seville 1933”, uma fotografia de Henri Cartier-Bresson, imprensa nos anos 60 e autenticada com carimbo pelo seu autor. São os primeiros onze mil euros que Agathe contabiliza, por enquanto um magro contributo para amortizar o enorme investimento que significa participar no certame. No seu espaço os valores das imagens variam entre os mil e os doze mil euros, sendo a imagem mais cara uma outra fotografia também da autoria de Henri Cartier-Bresson. Considerada uma galerista que vende a preços moderados - num certame em que o preço médio de venda por imagem é cerca de quatro mil euros – há na galeria de Agathe umas quantas preciosidades que merecem bem o investimento. Entre elas contam-se uma prova de contacto, datada de 1 de Janeiro de 1972, de “Martinique” da autoria de André Kertèsz, no valor de nove mil euros, e dois retratos particularmente interessantes, um de Patrice Chéreau, em 1982, e outro de Margarite Yourcenar, em 1987, ambos da autoria de Carlos Freire. Com o valor unitário de mil e oitocentos euros, os retratos de Carlos Freire tem a particularidade de apresentar depoimentos manuscritos pelo seu autor onde este descreve a experiência do encontro com o sujeito fotografado. No passe-partout do retrato de Chéreau pode ler-se claramente “Muito impressionado pelas necessidades técnicas mínimas da tomada de vista, Chereau fala do seu desejo de um dia realizar um filme a preto e branco. Nanterre 1982”.
Com uma postura bastante diferente de Agathe Gaillard, só após alguma insistência se consegue saber, junto da Galeria Nova-Iorquina Charles Cowles, qual o valor de venda a público de uma das magistrais obras que o canadiano Edward Burtynsky captou nas pedreiras de mármore do Alentejo. Um valor bastante acima da média que o galerista não deseja ver publicado na imprensa.
Igualmente prudente na comunicação dos valores das obras à imprensa, a fim de evitar futuros equívocos com os clientes, é também a Galeria Filomena Soares, a única galeria portuguesa representada no Paris Photo e que este ano repete a experiência iniciada na passada edição. Um regresso a Paris que se deve segundo Bruno Múrias, relações públicas da galeria, sobretudo a uma experiência anterior “muito satisfatória a todos os níveis”, e na altura muito saudada por permitir a visibilização de alguma da obra fotográfica actualmente produzida em Portugal. Representando artistas como Helena Almeida - autora da mais cara obra em exposição -, Vasco Araújo, João Penalva, Júlia Ventura e Rodrigo Oliveira a galeria exibe a quase totalidade dos autores portugueses presentes no certame. Excepção a esta representação são os trabalhos de Rita Magalhães e de Edgar Martins representados respectivamente pela “Galeria Fucares”, de Madrid, e pela “The Photographers Gallery” de Londres.
Exibindo, numa área equivalente a dois módulos expositivos, cerca de 20 obras do acervo de 30 que transportou para Paris, a galeria opta pelo sistema de substituição das obras vendidas permitindo assim uma visibilidade pública a um maior número de obras e artistas.
Admitindo que a participação num certame desta natureza envolve despesas muito elevadas que é necessário rentabilizar, Manuel Santos, director da galeria em parceria com Filomena Soares, garante que “nunca aposta para perder” revelando desta forma confiança na cotação internacional dos artistas que representa. Outra coisa não seria de esperar por parte da galeria que, dependendo exclusivamente de investimento privado, projecta já no próximo mês de Março 2008 participar num feira no Dubai, e que há oito anos leva a Arte Portuguesa à Arco, em Madrid, e mais recentemente, nos últimos cinco anos, marca presença como a única galeria portuguesa na Frieze Art Fair, em Londres.

Próxima edição:

Paris Photo 2008
13 a 16 de Novembro
Carrousel du Louvre, Paris
www.parisphoto.fr

(Texto publicado na revista "Magazine Artes" de Dezembro 2007)

Teresa Mota

Portugueses de Diáspora_Teresa Mota

Brilhar na sombra

Não gosta de dar entrevistas e cultiva o anonimato, estatuto antagónico ao com que, há 44 anos, saiu de Portugal rumo a França. Hoje, aos 66 anos, Teresa Mota não é apenas memória da jovem e talentosa actriz que marcou o teatro português nas décadas de 50 e 60 mas também uma respeitada académica cuja paixão pela escrita e pelo teatro nunca abandonou.

Texto e fotografias de Susana Paiva

Os amigos são peremptórios acerca da generosidade e devoção que Teresa Mota põe em todas as relações que preza. Louvam-lhe a discrição, a modéstia e sabedoria, enaltecendo as suas qualidades humanas e profissionais pois estão certos que ela própria nunca o faria. Solicitar a Teresa que fale de si é tarefa difícil resultando normalmente na valorização daqueles que lhe são mais próximos – o seu filho, Emmanuel Demarcy-Mota, jovem encenador que tem visto o seu trabalho consagrado nos meios teatrais português e francês e João Mota, seu irmão dois anos mais novo, reconhecido actor e encenador que nos tem brindado com uma carreira teatral e educativa plena de sucessos.
Há muito que Teresa optou pelo anonimato, posicionando-se na sombra que lhe permite “estar atenta às pessoas de quem se gosta”. Talvez o reconhecimento artístico precoce, protagonizado da infância à jovem adultez, tenha moldado o caracter da criança que, aos 6 anos, com a sua mãe, avó e irmão trocou a pacatez da sua terra natal pela capital nacional.
Da infância recorda a paradisíaca vida em Tomar, marcada pelas regulares idas ao teatro local, onde viu os primeiros espectáculos e filmes, e ao café Paraíso - ambos propriedade da sua família – bem como pelas tertúlias que o seu tio-avô materno promovia. Da mudança para Lisboa reteve a luminosidade da grande casa alugada pela mãe na frondosa avenida Marquês de Tomar e que marcou o início de uma nova vida para toda a família. Recorda-se dos sábados em que corria para casa na ânsia de ouvir o programa infantil de Maria Madalena Patacho na Emissora Nacional, o mesmo com o qual, algum tempo depois, viria a colaborar. Com 10 anos, concluída a escola primária em S. Sebastião da Pedreira, escreve uma carta a Maria Madalena Patacho manifestando o seu interesse em participar nas emissões e, pouco tempo depois, passado um concurso promovido pela Emissora Nacional, inicia uma longa colaboração com a rádio. Ao longo do trabalho com Madalena Patacho a voz de menina foi dando lugar à timbrada e agradável voz de adolescente com que Teresa Mota interpretou múltiplos personagens dos folhetins radiofónicos do “Teatro das Comédias” dirigidos então na Emissora Nacional por Álvaro Benamor.
Foi ainda enquanto adolescente que protagonizou um dos primeiros programas infantis da televisão portuguesa – “as cartas do tio João (e da sua sobrinha Teresinha)” – onde juntamente com Gustavo Fontoura respondia às cartas dos jovens telespectadores. É, aos 16 anos, como “Teresinha” que Teresa Mota, propulsionada pela visibilidade e sucesso dos primeiros anos da televisão, se vê catapultada para o estrelato. Uma visibilidade que ainda hoje recorda como assustadora e que a impedia de ser uma menina como as outras, dado ser regularmente reconhecida na rua e solicitada para autógrafos.
Apaixonada desde sempre pelo teatro, cujo desejo atribui à necessidade de conversar com um pai ausente, Teresa Mota não hesitou em escrever a Amélia Rey Colaço - então à frente da companhia Rey Colaço-Robles Monteiro residente no Teatro Nacional -, manifestando o seu desejo de ser actriz. Uma acção decisiva que marcaria o início de uma longa colaboração, iniciada com a participação em dois espectáculos ainda enquanto estudante liceal e que culminaria, findo o liceu Maria Amália e a convite de Amélia Rey-Colaço, na integração durante 4 anos do elenco permanente da companhia.
Foi, em 1961, sob a alçada de Amélia Rey-Colaço que Teresa Mota, então com 20 anos, viu reconhecido a sua interpretação em “Romeu e Julieta” de William Shakespeare com o prémio da crítica. Uma distinção que levaria Mário Casimiro Cortesão e a própria Amélia Rey-Colaço a aconselhar a intérprete de “Julieta” a ir para o estrangeiro aprender o máximo possível. Encorajada pelos seus mentores, Teresa Mota parte então em 1963 para Paris onde, com uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian, frequenta o curso teatral de René Simon no “Centre Dramatique de la rue Blanche”, inscrevendo-se também na licenciatura de “literatura estrangeira” da Sorbonne, universidade onde mais tarde viria a realizar o seu doutoramento subordinado ao tema “o conto e o teatro”.
Vivendo há 44 anos em França e desde 1993 professora agregada da Sorbonne Nouvelle/ Paris III, com a especialidade de língua e teatro, Teresa Mota construiu um universo pessoal onde teatro e ensino se entrecruzam. Foi fundadora na década de 60, juntamente com o seu marido Richard Demarcy, do “Naif Theatre”, a companhia teatral na qual, durante mais de 25 anos, foi co-criadora de todos os espectáculos. Actriz, encenadora, estudiosa, professora, mulher, mãe – tudo actividades que Teresa Mota se orgulha de ter desenvolvido, discretamente e na sombra como é seu apanágio.

(texto publicado na Magazine Artes de Novembro 2007)