“L’écho de mon corps répété dans le battement d’une aile murmurante” de Carlos Zingaro e Francis Plisson

Um corpo é um instrumento que dança

Há nos minutos iniciais do espectáculo “L’écho de mon corps répété dans le battement d’une aile murmurante” todos os ingredientes que atestam o sucesso da frutífera colaboração artística entre Francis Plisson e Carlos Zíngaro, resultante de uma residência artística realizada no Le Petit Faucheux, em Tours, entre Setembro e Novembro 2006. Onde outrora habitaram, separadamente, movimento e som, mora agora, em perfeita sintonia, um único e virtuoso instrumento em palco - o corpo que dança. Um corpo oscilando entre sonho e realidade, entre desejo e fantasia, cuja imobildade silenciosa Carlos Zíngaro, movimento a movimento, amplifica, controla, dirige e transforma, criando distintos universos que cruzam o onírico e o concreto. Um trabalho invisível para que quando, perante os olhos dos espectadores, a primeira luz invadir o palco, os passos e movimentos de Francis Plisson sejam já, surpreendentemente e como que por magia, areia e vento, acalmia e tempestade.
Um espectáculo extraordinariamente poético, construído com rara sensibilidade e clara maturidade dos seus intervenientes, que merece, sem sombra de dúvida, múltiplas revistações já que, abrindo espaço à improvisação, sonho e viagem interior ali jamais se repetem.

Paris, Dezembro 2006
Susana Paiva