Ao centro o Jazz

Após anos de difícil visibilidade o Jazz parece ter finalmente chegado a todo o país. De norte a sul o Jazz vai somando público, dividido entre festivais - internacionais e nacionais - concertos esporádicos e edições discográficas.
Certamente ainda muito estará por fazer no que diz respeito à divulgação do Jazz mas já não faltam muitas e boas razões para celebrar o Jazz em território nacional. Nem mesmo uma revista da especialidade.

Fotografias* e texto de Susana Paiva
*fotografias da 1ª e 2ª edição do Festival "Jazz ao Centro", em Coimbra


“A música que tocamos procede da tradição da vida e dos seres vivos. Ela inspira-se e pode ser inspirada por tudo o que vive ou viveu. Esta música é do planeta, ela utiliza fundamentos musicais vindos de todo o mundo: África, Ásia, Austrália, Europa, América do Norte ou do Sul” (…)
William Parker


Nascido do blues, das canções de trabalho dos trabalhadores negros norte-americanos, do espiritual negro e do ragtime, o jazz passou por uma extraordinária sucessão de transformações no decurso do século XX.
A designação Jazz começou a ser usada, no final dos anos 10 e início dos anos 20, para descrever um tipo de música que, na época, surgia em New Orleans, Chicago e New York. "Seus expoentes são considerados "oficialmente" os primeiros músicos de jazz: a Original Dixieland Jass Band do cornetista Nick LaRocca, o pianista Jelly Roll Morton (que se auto-denominava "criador do jazz"), o cornetista King Oliver com sua Original Creole Jazz Band, e o clarinetista e sax-sopranista Sidney Bechet. Seguidamente, vamos encontrar em Chicago os trompetistas Louis Armstrong e Bix Beiderbecke, e em New York o histriónico pianista Fats Waller e o pioneiro bandleader Fletcher Henderson. Em 1930 o jazz já possui uma "massa crítica" considerável e já se acham consolidadas várias grandes orquestras, como as Duke Ellington, Count Basie, Cab Calloway e Earl Hines", afirma José Duarte, autor do inolvidável programa radiofónico 'Cinco Minutos de Jazz' que, desde 1966, muito tem contribuído para a divulgação do Jazz em Portugal.
A evolução histórica do jazz, assim como da literatura, artes plásticas e música clássica, segue um padrão de movimento pendular, alternando tendências e frequentemente apontando direcções opostas. "Em meados dos anos 30 surge o primeiro estilo maciçamente popular do jazz, o swing - dançante e palatável - que agradava imensamente às multidões durante a época da guerra. Em 1945 surge um estilo muito mais radical, e que fazia menos concessões ao gosto popular, - o bebop - que seria revisto, radicalizado e ampliado, nos anos 50, com o hard bop. Em resposta à agressividade do bebop e do hard bop, aparece nos anos 50 o cool jazz, com uma proposta intelectualizada que está para o jazz assim como a música de câmara está para a música erudita".
Dominando a década de 50, o cool e o bop são, na década seguinte, destronados pelo free jazz - forma mais que perfeita para atribuir voz às perplexidades e incertezas dos anos 60. No final dos anos 60, ocorre então a inevitável fusão do jazz com o rock "resultando primeiro em obras inovadoras e vigorosas, e posteriormente em pastiches produzidos em série e de gosto duvidoso".
Não obstante a sua polimorfia, um dos aspectos claramente distintivos do Jazz - especialmente da música clássica - é o facto do performer de jazz ser primariamente um criativo, um improvisador - não raras vezes revelando-se como o seu próprio compositor - enquanto na música clássica, tradicionalmente, o performer se limita a interpretar e expressar as composições de outrém.
Hoje em dia parece existir espaço para cultivar todos os géneros de jazz, desde o dixieland até o experimentalismo free, desde os velhos e populares standards até às mais ambiciosas composições originais para grandes formações. A comprová-lo estão os festivais nacionais que, ao longo de todo o ano, de norte a sul, vão apresentando uma muito diversificada programação. A um roteiro outrora centrado, maioritariamente, em Lisboa e Porto, juntam-se agora muitos outros destinos - rotas dinamizadas por novos entusiatas, que semeam o Jazz por localidades como Coimbra, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Aveiro,Tondela, Viseu, Seia, Matosinhos, Braga e Portalegre, entre outras.
"Mas qual seria o estilo de jazz próprio dos dias de hoje?" interroga-se José Duarte, confrontado com o renovado interesse por esta sua tão amada área. "Talvez o jazz feito com instrumentos electrónicos - samplers e sequenciadores - num cruzamento com o tecno e o drum´n´bass".
E, "se esse jazz possui a consistência para não se dissolver como tantos outros modismos, só o tempo dirá", conclui José Duarte.

“Cada um possui um sentido pessoal de ritmo e de tempo. Isso aplica-se à maneira de nos mexermos, agirmos e reagir aos acontecimentos, a forma como falamos, andamos, piscamos o olho. Um ritmo reside lá, dentro de cada gesto de existência.
As funções secundárias do ritmo são a melodia e a harmonia.
No nosso coração que bate, há uma canção e uma figura rítmica. A função principal do coração é o de bombear o sangue. O som que o sangue faz ao ser bombeado é acessório em relação ao bombeamento propriamente dito. Mostrar-se vivo é escutar a música por todo o lado. A vida é som e o som é vida. (…)
A música criativa é toda a música que se reproduz durante uma actuação e origina uma entidade viva maior do que a sua origem”
William Parker


Qualquer tentativa de operacionalizar uma definição precisa do Jazz será provavelmente inútil. Desde o seu surgimento, até ao virar do século XX, o Jazz tem se revelado uma forma musical em constante evolução e expansão que impossibilita adjectivações e predicados definitivos.
Já muito se escreveu sobre a dificuldade de se definir o Jazz. Uma certa corrente de pensamento afirma mesmo que o Jazz não é tanto o que se toca, mas, sobretudo, a forma como se toca. "De qualquer modo, parece consensual que dois elementos são absolutamente necessários numa performance de jazz - o swing e a improvisação".
Nenhuma apresentação ou gravação de jazz está completa se não contiver algum trecho improvisado. "Uma peça de jazz totalmente escrita e fixada na partitura é uma contradição - o que, diga-se de passagem, indica que peças como a "Suíte para Flauta e Piano de Jazz", de Claude Bolling, embora muito agradáveis de se ouvir, não são propriamente jazz", afirma José Duarte.
Fazer jazz significa assumir um risco - o risco de se confrontar com o silêncio e preenchê-lo com um discurso inédito e próprio, o risco de ser um "compositor instantâneo", como dizia Charles Mingus.

(…) A composição é um enunciado musical com um princípio, um meio e um fim. Uma composição pode durar dez segundos, dois minutos ou seis horas. Ela pode ser escrita previamente ou enquanto é tocada.
A improvisação é a organização dos sons que não assenta sobre uma notação musical preestabelecida, uma música tocada espontaneamente e sem pensamentos preestabelecido, respondendo intuitivamente aos sons, segundo após segundo”
William Parker


O conceito de improvisação, em si mesmo, não apresenta grandes dificuldades de compreensão, embora exija longos anos de dedicação para ser posto em prática. "Trata-se de tecer - em tempo real, no exacto momento em que se está tocando - variações em torno de algo que serve de base: a linha de uma canção que serve de tema, uma sequência de acordes, alguns intervalos melódicos, uma tonalidade".
As variações têm uma longa tradição na música clássica ocidental. Grandes compositores escreveram ciclos de variações, explorando até o limite o potencial dos seus temas.
Já na Renascença era habitual tomar como tema uma canção popular e, sobre ela, fazer variações. "Isto era chamado na Inglaterra de divisions on grounds e na Espanha de diferencias sobre bajos ostinados", resume José Duarte.
Assim como as variações, a improvisação não é uma invenção moderna. "Bach era um improvisador de mão-cheia. Na Renascença já havia o costume de se apresentar peças de caráter improvisatório e de forma totalmente livre, denominadas fantasias, nas quais o executante dava largas à sua imaginação". Muitas dessas fantasias e colecções de variações foram registradas em partitura, sendo assim possível, depois de séculos, e ainda que sem a espontaneidade do momento, reviver e apreciar as "jam sessions" de outrora.

“O swing é um gesto afirmativo da vida: um pássaro cantando numa árvore, um recém nascido, uma criança brincando na rua. Todas as plantas verdes “swingam”. Os salmões “swingam”. O swing não é uma questão de música. O swing está ligado ao restabelecimento da humanidade. (…)”
William Parker

Definir o swing é algo muito mais difícil. Parafraseando Louis Armstrong quando questionado sobre o que significava swing - " Se tem que perguntar nunca saberá"…
O swing trata-se "de algo que engloba o fraseado, o ritmo, o ataque das notas. O swing não se escreve numa partitura, por mais detalhada e precisa que seja a sua notação". A definição dada por André Francis, no seu livro Jazz, é bastante interessante: "tocar com swing, swingar, significa trazer à execução de uma peça um certo estado rítmico que determine a sobreposição de uma tensão e de um relaxamento". Esta é a dialética do swing - dar flexibilidade a um ritmo, dar "balanço" a uma frase, e contudo manter a precisão, preservar o foco da música, evitando que ela perca o caráter incisivo.


"O que é o free jazz?
É um movimento para libertar o jazz das suas grades, do seu nome e da sua situação? Quererá dizer que o público entra gratuitamente? Ou que os músicos tocam gratuitamente? (…)
O conceito de improvisador/compositor na música que foi chamada de jazz de vanguarda, free jazz, nova música, música Negra, etc.., é um conceito evolutivo que varia consoante os músicos. Perguntar que nome atribuir é uma maneira de desviar a atenção - como a questão “o que é o Jazz?”
William Parker

Nascido sob a égide de Coimbra Capital Nacional da Cultura 2003, o Festival Jazz ao Centro - uma das estruturas que, nos últimos anos, mais tem dinamizado o Jazz em Portugal - não parece temer o nefasto efeito que o termo "free jazz" produz junto de algum público.
Sendo um género caracterizado pela ausência de regras, onde os músicos, não seguindo uma estrutura harmónica fixa enquanto improvisam, vão modelando à sua livre vontade, o free jazz poderá parecer, a um público menos esclarecido, uma forma musical anárquica e por vezes caótica. Mas justiça seja feita, quer seja em virtude da inegável qualidade da programação ou da desconstrução do mito do Jazz ao Centro como um festival free jazz, a verdade é que o evento tem vindo progressivamente a conquistar uma crescente e fiel audiência que, não só acorre aos seus excelentes concertos, como também participa nas restantes actividades programadas no âmbito do Festival.
Umas das actividades que mais entusiástico acolhimento tem vindo a merecer, por parte do público e dos próprios músicos, são as jam sessions que ocorrem em vários bares ou clubes da cidade, após realização dos concertos, no teatro académico de Gil Vicente.
Definidas por Jean Wagner, no seu livro O guia do Jazz - Iniciação à história e estética do Jazz, como "reuniões de Jazzmen que se juntam pelo prazer de tocar e que improvisam à vontade" as jam sessions são também, não raras vezes, onde "os músicos dão o melhor de si mesmos".
Espelho do caloroso ambiente vivido, na última edição do festival, é o artigo do critico Rui Eduardo Paes, escrito para a revista espanhola Oro Molido - "Na cidade universitária, o jazz ouve-se, toca-se e vive-se de maneira muito especial, e isso ficou exemplarmente demonstrado com a primeira parte dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, decorridos entre 2 e 4 de Junho (a segunda parte está marcada para Novembro). Organizado pelo Jazz ao Centro Clube, um grupo de entusiastas deste género de música que não propriamente uma produtora, com a colaboração da “jazz store” e distribuidora discográfica Trem Azul, o festival não se ficou pelos concertos. Memoráveis foram as “jam sessions” realizadas já a altas horas da madrugada, sobretudo a que teve lugar no Salão Brasil, em pleno bairro “sevilhano” de Coimbra. Alguns dos músicos estrangeiros programados, membros da JACC Workshop Orchestra e instrumentistas locais juntaram-se em improvisações que tiveram o gozo e a empatia musical/humana como resultado, fazendo até com que a numerosa e participativa assistência dançasse. Sim, dançasse; coisa rara numa música que, diz-se, perdeu o “groove”. Ficou provado que é mentira e foi, inclusive, a maior festa do jazz a que já pudemos assistir, com a vantagem para os presentes de saxofonistas, trompetistas, contrabaixistas e bateristas (mais um trombonista, um clarinetista baixo, um guitarrista e uma cantora) tocarem a um palmo de distância. A sessão acabou em apoteose com a intervenção da polícia, chamada pela vizinhança devido ao barulho provocado pelos despiques".
Um final abrupto mas, de certa forma, necessário para quem, acreditando na eternidade do momento, respirou, sentiu e vibrou Jazz durante três dias de absoluta felicidade.

“Um dos principais mal-entendidos reside na ideia duma arte criada para a eternidade. Um trecho musical cria-se nesse instante perpetuo que é a eternidade, ou seja nada mais do que um certo momento. Cada trecho musical encerra em si a verdade. É a interacção do tempo e do espaço".

William Parker


Pequeno glossário para a melhor compreensão de alguns agentes do actual fenómeno Jazz em Portugal

JACC - Jazz ao Centro Clube
Fundado em 30 de Abril de 2003, o JACC, apesar do seu curto historial, apresenta já um vasto trabalho desenvolvido. Exemplo disso são os “Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra – 2003”, que representaram toda a componente Jazz na programação da Coimbra Capital Nacional da Cultura e que, numa prova de resistência e persistência, se tem vindo - divididos em duas temporadas anuais - a repetir desde então.
O sucesso desta iniciativa ultrapassou largamente as expectativas da organização, traduzindo-se numa invulgar adesão de público e excepcional qualidade de programação - facto já devidamente reconhecido nacional e internacionalmente, por um conjunto de críticos e especialistas da área, nomeando-o como um dos melhores festivais de Jazz contemporâneo a nível mundial.
Desde a sua constituição o JACC foi responsável pela organização de mais de 35 concertos, dos quais se destacam o de Steve Lehman - um dos mais promissores saxofonistas da actualidade que, em Coimbra, com o seu “Camoflage Trio” gravou ao vivo o seu último disco -, e um “mega concerto” com “Dave Holland Big Band” que proporcionou, aos cerca de 1500 espectadores, uma noite memorável no “Pateo das Escolas” - recinto central da Universidade de Coimbra. Ainda a destacar a realização da segunda edição dos “Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra” com a participação de Tripleplay, Whit Dickey Quartet, Dennis González NY Quartet feat. Oliver Lake, Michael Blake Trio, Adam Lane Quartet, Will Holshouser Trio, Bernardo Sassetti, Spring Heel Jack feat. Wadada Leo Smith, a qual mereceu os mais rasgados elogios.
Além dos espectáculos e da divulgação do Jazz, o JACC, tem apostado também na vertente pedagógica, realizando um conjunto de Workshops com músicos estrangeiros que vêm aos “Encontros”, e proporcionando assim, aos músicos locais e nacionais, a partilha de experiências e um contacto directo com os grandes vultos do Jazz mundial.
Conscientes ainda que existe uma forte necessidade de formação de públicos, o JACC, em colaboração da Direcção Regional da Educação do Centro, promoveu também, em 2003 e 2004, uma iniciativa denominada “O Jazz visita as escolas”, visando sensibilizar os jovens para a audição do Jazz.
No passado mês de Junho o JACC lançou a revista jazz.pt um projecto editorial bimestral, exclusivamente dedicado, como não poderia deixar de ser, ao Jazz.
http://www.jacc.pt


Editora Clean Feed
Fundada em 2001 a Clean Feed - única editora discográfica nacional na área do Jazz - nasceu, segundo os seus fundadores, "da necessidade premente de alterar o cenário cinzento do Jazz Português e de editar alguns dos mais criativos artistas internacionais em projectos singulares ou de cooperação com músicos portugueses".
Muito rapidamente a Clean Feed encontrou-se no "vértice da cena criativa internacional, lançando projectos que alcançaram metas nunca antes sonhadas". Em quatro anos a editora alcançou o impressionante número de 40 edições discográficas, com trabalhos de músicos internacionalmente reconhecidos como Steve Swell, Lou Grassi, Ken Filiano, Roy Campbell, Wilber Morris, Will Holshouser, Bernardo Sassetti, Gerry Hemingway, Ellery Eskelin, Ray Anderson, Carlos Barretto, Kevin Norton, Rodrigo Amado, Zé Eduardo, Carlos Zíngaro, Paul Dunmall, Ken Vandermark, Whit Dickey, e Steve Lehman, entre outros.
Neste momento os seus discos, cuidadosamente produzidos, são distribuídos no Japão, Estados Unidos da América, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Itália, Polónia, Bélgica e Suiça enquanto novos artistas, incluindo Michael Blake, Herb Robertson, Joe Morris, Charles Gayle, Rob Brown, Vinny Golia, James Finn, Paul Flaherty, Ravish Momin, Pandelis Karayorgis, Joe Fiedler, Mark Dresser, Bruno Chevillon, Jean-Marc Foltz, George Schuller, Jeff Arnal, Adam Lane e Paal Nilssen-Love, engrossam o seu catálogo.
O seu projecto, orgulhosamente "made in Lisbon", pretende continuar a gravar projectos de Jazz contemporâneo, inovadores, reforçando assim o seu catálogo, internacionalmente reconhecido pela sua qualidade e coerência.
http://www.cleanfeed-records.com/


Trem Azul Jazz Store
Localizada entre o Chiado e o Cais do Sodré, encontra-se a única loja de música portuguesa especializada em Jazz. Instalada num amplo e arquitectonicamente curioso apartamento, a lembrar as estruturas nova-iorquinas, a loja expõe, de forma cuidada, milhares de títulos áudio, bem como alguns títulos dvd. Uma nota especial para os saudosos do vinil que aí poderão encontrar algumas preciosidades jamais editadas em cd.
Além de um sítio muito agradável, onde se pode escutar tranquilamente discos à escolha, em dois postos individuais, o cliente terá sempre a garantia de ser atendido por pessoal especializado, conhecedor e sobretudo apaixonando pelas sonoridades do Jazz.
Frequentemente a Trem Azul Jazz Store apresenta, no seu espaço, exposições ligadas à temática do Jazz bem como pequenos grandes concertos, ao final da tarde. Um espaço a descobrir e a explorar- agora em horário especial de verão, alargado, "enquanto há luz", às quintas e sextas feiras até às 21h30m.

Trem Azul Jazz Store
Rua do Alecrim, 21 A - Lisboa
Aberta de Segunda a Sábado, das 10:00 às 19:30
Horário especial de Verão "Enquanto há Luz há Trem Azul",
às quintas e sextas está aberta até às 21:30
http://www.tremazul.com/

(publicado no "Dna")